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Neurobiologia da Fé

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1 Neurobiologia da Fé em Seg Maio 10, 2010 11:06 am

Ametista


Aloha!
Assuntos e mais assuntos debatidos em Congressos que ainda ficam restritos a poucos...Eu estava presente neste Congresso, realizado em SP há 5 anos, e cheguei a pensar como seria bom se todos pudessem ter acesso a este novo paradigma.
Os pacientes poderiam se sentir mesmo responsáveis por seu processo saúde - doença; os médicos responsáveis por divulgar o que antes apenas a religião levantava bandeiras; enfim a cura estaria disponível em outro aspecto para todos.
A partir de um determinado momento em minha vida, escolhi novos rumos, fora da visão cartesiana, reducionista, materialista da medicina convencional, e a medida que o tempo passa, aprendo com o lado oculto aos olhos de quem apenas acredita no que vê, que o " essencial é invisível aos olhos, e só se vcê bem com o coração".
Minha mente sempre foi aberta a novas idéias, e o oculto sempre me fascinou... agora com a oportunidade de participar de grupos ( como a AME Brasil) que propõe um estudo científico que une ciência e espiritualidade, me sinto mais segura para conversar, trocar informações, dar palestras nesta área, entendendo que cada um está em um momento próprio de caminhada, e que ainda para outros este entendimento não faz sentido. Mas, compartilhar é uma das minhas potencialidades, e penso que este espaço está aberto para estas informações.
Grata a todos por este momento
Paz e bem!!!!!



NEUROBIOLOGIA DA FÉ
(matéria publicada na Folha Espírita em outubro de 2005)

A Folha Espírita entrevistou o Dr. Ricardo Leme, neurocirurgião.
Médico neurocirurgião, Ricardo Leme, 37 anos, é também doutor em Ciências, na área de Anatomia Funcional, pela USP. No V Congresso Nacional da Associação Médico-Espírita do Brasil (Mednesp), que aconteceu de 26 a 28 de maio, em São Paulo (SP), ele tratou do tema Neurobiologia da Fé, destacando que a fé pode assumir diferentes nuances, na dependência da formação e da visão existencial de cada pessoa. Abaixo, os principais pontos abordados:
Folha Espírita – O que é a neurobiologia da fé?
Ricardo Leme – Uma primeira observação a ser feita, que é de primordial importância, é notarmos que os fenômenos neurobiológicos (relacionados ao sistema nervoso e à vida) e os pertinentes à fé pertencem a diferentes realidades. Enquanto os primeiros estão situados em uma realidade física (fenomênica), os segundos pertencem a uma realidade que podemos chamar de psíquica (numinosa). Devemos, portanto, ser cuidadosos em qualquer tentativa de conciliação e de interpretação, quando fenômenos que ocorrem em diferentes realidades se tornam objeto de estudo da ciência. Os métodos científicos tradicionais ou da ciência acadêmica, buscam, no momento atual, fenômenos reprodutíveis e quantificáveis, numa tentativa, muitas vezes reducionista, de traduzir diferentes realidades a uma linguagem comum. Estudos neurobiológicos, que envolvem o desvendar do funcionamento do sistema nervoso, representam parte considerável da literatura científica nos dias atuais. O desenvolvimento tecnológico permite cada vez mais que se decomponham, se quantifiquem e até mesmo se identifiquem substâncias novas, o que é muito desejável. No entanto, alguns seres humanos estão apenas começando a desconfiar que talvez o desenvolvimento tecnológico esteja carecendo de algo, que pode ser o pequeno detalhe que esteja faltando para um funcionamento mais harmonioso da humanidade como um todo. O estudo da neurobiologia da fé talvez possa ser uma ferramenta a mais na busca desse algo.
FE – Os estudos que vêm sendo feitos estão no caminho certo?
Leme – Para muitos, estudar a neurobiologia da fé consiste em mapear o encéfalo quanto a áreas que estão ou não ativas durante uma experiência religiosa, a fim de localizar a fé no corpo humano e, assim, explicá-la. Não podemos negar a importância desses estudos. No entanto, propostas de novas formas de pensar são altamente desejáveis, principalmente quando o objeto de estudo envolve a fé, algo ainda tão pouco compreendido. Essa pouca compreensão envolve não apenas as diferentes formas como as pessoas expressam a fé, mas também e, principalmente, seus efeitos, que muitos presenciam e que às vezes preferem calar a arriscar conhecer sua fonte geradora. Assumir a condição de não saber e se permitir estar aberto para todas as possibilidades são as primeiras condições necessárias para o interessado em aprender sobre qualquer assunto e, de maneira especial, esse, que envolve estes dois grandes campos, que são a Neurobiologia e a fé. Ainda hoje, se observarmos a literatura científica, é notável a distância que separa pesquisas na área da Medicina daquelas realizadas nas disciplinas conhecidas como básicas, como a Matemática, a Física e a Química, para exemplificar algumas. Essa distância faz com que muitos dos modelos desenvolvidos em pesquisas médicas, por exemplo, não levem em conta as descobertas mais recentes no campo da Física. Em um primeiro momento isso pode parecer irrelevante, no entanto, estudar nosso universo a partir de um modelo baseado na Física Clássica ou de um baseado na Física Relativística Quântica pode nos levar a conclusões antagônicas.
FE – Por que é importante pesquisar a fé?
Leme – Nos tempos atuais, apesar da enorme quantidade de informações que nos chegam diariamente, é muito comum que as pessoas vivam com uma leve sensação de que algo está faltando ou de incerteza. De maneira geral, as religiões se propõem a preencher essas lacunas de forma a dar algum sentido ou significação para essas vidas que buscam um sentido. Apesar das inúmeras propostas que tentam explicar o processo da gênese do ser humano e da veemência com que algumas pessoas afirmam ser portadoras da verdade, até o presente momento a resposta para o significado existencial permanece velada. As pesquisas sobre a fé podem contribuir muito para que as pessoas possam encontrar por si mesmas, e não por terceiros, possíveis significados para suas existências. Estudos no campo da Física Quântica sugerem que nossas escolhas, como produtos da consciência, interferem de forma decisiva na maneira como a realidade física se manifesta. Um místico chegando a essas conclusões não surpreenderia muitos de nós, mas um físico, a partir de demonstrações baseadas em ferramentas da nossa própria dimensão material, é algo maravilhoso.
FE – É como se a pessoa fosse uma peça de um grande quebra-cabeça?
Leme – Exatamente. E como tal, tivesse a oportunidade única de se posicionar dentro do quebra-cabeça montado. No entanto, enquanto essa pessoa executa o que esperam que ela faça, ela pode estar negligenciando o que ela realmente está aqui para fazer. Algo que só ela pode saber, pois é a portadora dessa semente e tem a responsabilidade de fazê-la germinar. Simplificando, em outras palavras: a prática espiritual pode assumir um caráter exotérico (do grego tà exô – as coisas exteriores) ou esotérico (tà esô – as coisas interiores). No primeiro caso, a característica é a existência de alguma pessoa, objeto, ídolo, enfim, algum símbolo fora do praticante para o qual se dirige a prática. No caso do esoterismo, a prática é de dentro para fora, o templo é interno e o caminho é solitário e, em alguns casos, pode até mesmo ser árduo. Tanto as práticas exotéricas, que atingem grandes massas de pessoas, quanto as esotéricas, são importantes e devemos evitar de ver uma como sendo superior ou melhor que a outra. Muitas vezes, para a pessoa chegar à prática da espiritualidade em essência (esoterismo), é necessário um primeiro contato com algum grupo religioso (exoterismo), seja ele qual for. A importância de se pesquisar a fé é máxima, uma vez que pode permitir que as pessoas entrem em contato com realidades que ninguém mais além delas mesmas poderia fazê-lo.
FE – O conceito da fé pode ser visto de diferentes formas? Por quê?
Leme – Eu acredito que sim, pois cada pessoa é diferente da outra e, portanto, existirão tantas formas diferentes de ver quanto o número de pessoas. A linguagem verbal que dispomos para comunicação, sem que possamos perceber, impõe-nos sérias limitações. Apesar de muitas vezes acreditarmos que estamos falando e passando claramente uma idéia, o papel do receptor é fundamental, uma vez que ele pode interpretar nossas palavras de acordo com os conceitos que tem já estabelecidos. Existe um pensador russo chamado Ouspenski, que propõe uma classificação do homem (ser humano) em sete tipos diferentes. Claro que toda classificação pode ser limitante, mas elas ainda são necessárias até que cada um de nós aprenda a pensar por si próprio. Para Ouspenski, a palavra homem não admite variação ou gradação alguma entre aquele que não está consciente e nem suspeita, entre o que luta para se tornar consciente e o que se tornou plenamente consciente. A mesma palavra é usada para designar todos os tipos de homens. Parece muito óbvio, portanto, que dependendo do nível consciencial de cada pessoa, a fé vai ser vista, compreendida, trabalhada e exercitada de formas diferentes.
FE – Que exames vêm sendo usados para o estudo desses fenômenos?
Leme – Vários estudos estão em desenvolvimento na tentativa de associar as experiências religiosas a regiões específicas do encéfalo. Os exames mais utilizados nessa metodologia são o eletroencefalograma (EEG), a tomografia por emissão de fóton simples (SPECT), a tomografia por emissão de pósitrons (PET), a ressonância magnética (RM) associada ou não ao PET e a RM funcional. Outra importante área de estudo utiliza a dosagem de determinadas substâncias no sangue de pessoas que passaram por experiências espirituais. Muitas dessas substâncias são anticorpos, como, por exemplo, imunoglobulinas presentes na saliva e interleucinas no sangue. Uma vez que está cada vez mais bem caracterizado o funcionamento conjunto dos sistemas nervoso, endócrino e imunológico, tem sido possível se observar o efeito da prática espiritual sobre esses sistemas, a partir de vários modelos experimentais relacionados não apenas a doenças, mas também ao processo de envelhecimento.
FE – Alguma metodologia específica? Por quê?
Leme – Cada estudo propõe metodologias específicas e essa é uma questão crucial que muitas vezes nos passa despercebida quando tentamos interpretar esses estudos. As metodologias são tão específicas, as condições de laboratório são tão controladas, algumas variáveis são padronizadas a tal ponto, que esse mesmo rigor acaba se voltando contra a própria proposta da ciência ou da pesquisa. Isso ocorre, pois, a partir dos resultados obtidos em laboratório, sobre modelos controlados, o próximo passo do cientista é, por meio de processos de indução e de generalização, aplicar aqueles achados ao comportamento de sistemas abertos, na população de seres humanos que vivem fora dos laboratórios. Muitas vezes, os estudos científicos trazem resultados que oferecem dificuldade para serem conciliados. Por exemplo, enquanto alguns pesquisadores propõem a associação da experiência religiosa e da espiritualidade à ativação de circuitos neurais específicos dos lobos temporais do cérebro, outros demonstram que a ativação encefálica observada em determinadas experiências espirituais ocorre em todo o cérebro indistintamente. Devemos ser muito cuidadosos ao interpretar descobertas novas, pois muitas não resistem à prova do tempo

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